terça-feira, 20 de dezembro de 2011

poema de amor

esta nobre e modesta solidão
que com tanto empenho me imponho
é a máscara triste da negação
compreendo agora, suponho

e ao fim deste tempo todo
fica-me apenas uma questão
como não adorar-te?

a ti inteiro, e ao teu modo
com as imperfeições que venero
a tua busca incessante
por coisas que nem eu pondero

as tuas interrogações e a incerteza
as palavras tristes e a voz cansada
a desilusão que parece estar-te sempre reservada
mesmo que não seja da tua natureza

ainda acreditas que vai ficar tudo bem

e eu encontro-me sem opção
é imperioso reformular
como não amar-te?

cheguei ao termo da minha negação
renego todos os corpos
em que me afoguei para me esquecer
reconheço os destinos tortos
que tomei para não ver

e só quando te vi
é que tive noção
compreendi
-- com todas as consequências que podemos prever
hoje já, ou ontem, de antemão --
quantas saudades sinto de ti

nunca te falei da tua beleza
nem da cor dos teus olhos
nunca referi como me sentia indefesa
sempre que me fazias tremer os joelhos

lamento o que escondi
e lamento a minha falta de coragem
lamento o quanto fugi
e lamento ter-te feito perder a viagem

a última coisa que digo
e a única que peço, por favor
nunca digas que morreste
sem que alguém te escrevesse um poema de amor.

2 comentários:

Lucas Vinicius disse...

realmente o que vc escreveu algo tão profundo e belo,gostaria que você visita-se o meu blog para que você o critica se ele para mim.
http://apared.blogspot.com

Rute de Carvalho Magalhães disse...

Amei *